Baixos níveis de melatonina, o 'hormônio do sono', elevam o risco de diabetes tipo 2




Nova pesquisa observou que pessoas que têm a doença apresentam, durante a
noite, menores quantidades do hormônio - e concluiu que baixa produção de
melatonina nesse período pode dobrar as chances da condição.

Uma pesquisa feita no Hospital Brigham and Women, que pertence à
Universidade Harvard, nos Estados Unidos, concluiu que a secreção menor de
melatonina, hormônio produzido pelo cérebro que favorece o sono, está
vinculada a um risco maior de diabetes tipo 2 em adultos. Segundo os
autores do estudo, essa é a primeira vez em que a produção do hormônio é
associada à doença. A conclusão foi publicada nesta terça-feira no
periódico The Journal of the American Medical Association (JAMA).

Saiba mais

MELATONINA
A melatonina, produzida pela glândula pineal, localizada no cérebro, é
fundamental para regular o nosso relógio biológico e, assim, regular sono,
fome e diversas funções no organismo. Em países como os Estados Unidos e
os da Europa, ela é amplamente comercializada como uma vitamina e, em
lugares como Argentina e Chile, como remédio. No Brasil, porém, ela não
pode ser comercializada pois não possui registro na Anvisa (Agência
Nacional de Vigilância Sanitária). De acordo com o órgão, o último pedido
para registro da substância foi feito em 2003 e foi indeferido por estar
"em desacordo com a legislação vigente". Não houve um novo pedido desde
então. No entanto, também não há uma proibição expressa do uso da
substância, de forma que o paciente que desejar pode importá-la para uso
próprio.

DIABETES TIPO 2
Enquanto a diabetes tipo 1 ocorre pela falta da produção de insulina, na
do tipo 2 a insulina continua a ser produzida normalmente, mas o organismo
desenvolve resistência ao hormônio. É causada por uma mistura de fatores
genéticos e pelo estilo de vida: 80% a 90% das pessoas que têm o tipo 2 da
diabetes são obesas.

Diversos estudos já relacionaram distúrbios do sono a problemas de saúde,
incluindo maiores riscos de depressão, obesidade e diabetes. Porém, são
poucos aqueles que conseguiram explicar de que forma isso acontece — a
maioria apenas identificou uma maior prevalência dessas condições em
pessoas que dormem mal.

Essa nova pesquisa selecionou 370 mulheres que desenvolveram diabetes tipo
2 no período de 2000 a 2012 e outras 370 voluntárias livres da doença. A
equipe analisou os níveis de melatonina das participantes e relacionou
essas informações com a prevalência do diabetes tipo 2. A melatonina é
produzida durante o sono e, por isso, seus maiores níveis no corpo ocorrem
durante a noite. O hormônio é fundamental para regular o relógio biológico
de uma pessoa e, por consequência, o sono, a fome e diversas funções do
organismo.

Após avaliar todas as participantes, os pesquisadores descobriram que as
mulheres diabéticas tinham menores níveis de melatonina durante a noite em
comparação com o grupo sadio. Segundo os autores do estudo, quantidades
baixas do hormônio à noite dobram o risco de desenvolver diabetes em
comparação com níveis elevados. "Além disso, mesmo entre pessoas livres de
diabetes, baixos níveis noturnos de melatonina estão relacionados a um
aumento da resistência à insulina", escreveram os autores no artigo.

Fuente:
veja.abril.com.br





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